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Indignação e cor : Assim nos manifestamos em Berlim!

Fotografias de Isaumir Nascimento em exposição no Gira – Festival de resistência

Nos meses que antedeceram o afastamento da presidenta eleita no Brasil Dilma Rouseff pessoas se demostravam em cidades do mundo inteiro em frente de embaixadas e em locais públicos de grande visibilidade pedindo para a comunidade internacional olhar para a gravidade dos acontecimentos no Brasil. O que parecia ser somente uma ameaça se tornou realidade quando no dia 31 de agosto de 2016 o mandato da presidenta eleita foi casado e o então vice-presidente assumiou o seu cargo, amaparado pelo que foi considerado por ativistas e pela mídia internacional como um golpe jurídico, orquestrado pela tradicional elite política brasileira que via seus interesses sendo ameaçados e que se fazia mais uma vez a representante raivosa de interesses extranjeiros.

Antes e depois do golpe, ovidos pela indignação e impotencia de ver políticas públicas duramente conquistadas ser desmontadas uma traz outra as manifestações continuaram acontecendo em grandes cidades do mundo por alguns meses. Durante este periodo se reuniram em Berlin, um grupo de pessoas – a maioria delas de cidadania brasileira, para organizar atos que dessem visibilidade à fragil situação da democracia brasiliera antes do afastamento da presidenta e ao longo dos seguintes meses do que ficou sendo chamado como golpe ou “putsch” para informar a população local (dada a precariadade da informação que se recebe da America Latina na Alemanha) sobre o desmonte de políticas socias, as ameaças à vida de defensors dos direitos humanos no país e ao agravamento da corrupção – tema bandeira usado para usurpar inicialmente o poder.

O grupo que se autodenominou Berlin contra o golpe se criou de forma espontanea no meio dos acontecimentos que cercaram o afastamento da presidenta Dilma Rouseff e o posterior desmonte de polícas públicas no Brasil, como uma rede entre pessoas, muitas das quais antes não se conheciam, dispostas a sair às ruas berlinenses, organizar protestos em locais emblemáticos como o Portão de Bradenburgo ou a Oranienplatz, em frente da Embaixada Brasileira e no meio a eventos politicos e culturais da cidade como as manifestfações do primeiro de maio ou o carnaval das culturas. O Berlin contra o golpe, não se definia como coletivo ou uma frente, eram sim pessoas que representavam diversas vozes, posições e origens, formado por pessoas partidarias e não partidárias, denfensoras e/ou críticas ao partido da presidenta, mais todas independentemente da sua posição atentas à gravidade dos acontecimentos políticos no Brasil, eram pessoas com diversas formações políticas, de diversas origens socioculturais e regionais que traziam com sua diversidade a necesidade de se discutir, além da questão do atentado à democracia e à retirada de direitos básicos no Brasil também temas fundamentais muitas vezes esquecidos nos debates de esquerda como são o colonialismo, o racismo, o sexismo, a homo, transfobia e o classismo.

Deste momento de articulação, de debate, de ir para as ruas em Berlim e no mundo, mas sobretudo no Brasil existem muitos registros fotográficos. Aqui apresentamos algumos dos realizados pelo fotógrafo brasileiro Isaumir Nascimento, “Caixa Preta” como é conhecido nas redes sociais.

Yili Rojas

Yili Rojas_site

Yili Rojas é uma artista visual, produtora, performer e poeta que mora em Berlim. Para o Gira Festival de resistência ela escolheu uma das imagens do projeto “Kakao Baum” – uma coleção de 500 desenhos sobre páginas impressas de livros antigos em alemão. Com eles a artista se interroga no ativo oficio de desenhar sobre o colonialismo e sua continuidade, mas também sobre a hegemonia de saberes e de linguagens que deve, ao seu entender ser quebrada com a performance e a apropriação de suportes, mas também inventando outros lugares, articulações e formas de se compartilhar conhecimento.

https://yilirojas.wordpress.com/

Carlos Henrique Soares

Carlos Henrique_site

Carlos Henrique Soares é um artista cearence da cidade do Crato, membro da Academia de Cordelistas do Crato e representante conhecido nacionalmente da xilogravura de cordel e da xilogravura tradicional. Ele mesmo tem ilustrado inumeras capas de cordeis publicados na região do Cariri cearense.

Carlos Henrique trabalha também com o formato cartaz de lambe-lambe produzindo instalações nas paredes da sua cidade com imagens gravadas na madeira. Da mesma forma produz objetos como o que usou para o seu projeto para o Gira Festival de Resistência.

 

Cleiri Cardoso

Cleiri Cardoso _site

Cleiri Cardoso mora e trabalha em São Paulo, é artista visual e dedica seu trabalho à imagem impressa e aos meios de reprodução de imagens, instalações, ações em rede, intervenções urbanas e exposições.

O seu cartaz para o Gira Festival é resultado de um desses projetos em rede, o projeto Volante, que desde faz alguns anos desenvolve em parceria com outrs artistas em rede  -local, nacional e internacional: http://projetovolante.blogspot.com/

https://cleiricardoso.wordpress.com

 

Alê Souto

Alê Souto_site

Alê Souto é um artista multimedios que trabalha e mora no México. Sobre seu projeto para o Gira Festival ele diz:

“Tótem a memória do Bispo Sardinha de Alê Souto nos convida a conhecer um dos acontecimentos históricos que inspirou o movimiento antropofágico no Brasil. Em um ato de resistência e apropriação cultural  os indígenas Caetés parentes próximos dos  Tupinambás comem o primeiro Bispo do Brasil Dom Pero Fernandes Sardinha no ano de 1556, a morte do Bispo serviu de pretexto para dar início a uma guerra contra os caetés que em cinco anos exterminou mais de 80 mil Caetés, e a região onde eles habitavam passou a ser colonizada pelos portugueses.

Considerando as grandes corporações e o consumo atual de produtos industrializados como uma ameaça iminente a saúde e ao equilíbrio social, e  comparando este fenômeno ao da influencia, poderio e manipulação católicos no século 16, o artista realiza um ato de deglutição   onde consome ao longo de 6 meses produtos industrializados (devorando aquilo que o ameaça  tal qual os Caetés) restando destes apenas suas caixas (peles) que  vão dar origem ao corpo/totêmico/escultórico/invólucro que com a adição de dois pés de papel-maché  e um par de sandálias de borracha ganha status de ente e nos faz pensar no quanto somos parte deste corpo social que nos consome enquanto o consumimos.

Neste jogo de poder e necessidades  quem come quem ?

Do que é feito este corpo ? que no ato de consumir se mistura ao corpo do seu inimigo de forma passiva, todos os dias.

Como não sermos colocados em latas de sardinha diariamente e nao sermos vendidos ou trocados por espelhos no atacado dos Malls e Shoppings inaugurados nos Anhangabaús, Atoyacs, Lurínes e outros tantos lugares roubados dos nossos ancestrais em nome do desenvolvimento e progresso que nós mesmos consumimos diariamente ?

Sejamos fortes guerreiros e guerreiras, a neo-colonia está entre e dentro de nós.

Resistamos ! “

 

www.alesouto.com